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Camisas de futebol: anuncie aqui

O Corinthians apresentou, na partida contra o Altético Goianiense, mais um patrocinador para sua camisa.

Sim, mais um!

A TIM, gigante operadora de telefonia móvel italiana conseguiu um espaço quase impossível na já loteada camisa corinthiana: o número.

Terá um espaço ínfimo que mal pode ser visto. Afinal, os diretores de TV, durante as transmissões,  sempre optam por mostrar o jogador de frente, e é difícil que apareça numa partida o jogador de costas com câmera fechada.

O Corinthians que já tem patrocinadores no peito direito, lobo abaixo do peito, ombro, clavícula, axila, costas e nas barras da camisa.

Não vou ser romântico de dizer que os patrocínios são ruins no futebol, mas precisam ser revistos. Muito mais do que várias empresas dividindo um espaço como o da camisa, seria importante que os clubes pensassem em novas formas de atrair investidores, e que estes estejam dispostos a serem parceiros dos clubes.

Com a aproximação da Copa das Confederações, Olimpíadas e, principalmente, da Copa do Mundo, cada vez mais empresas buscarão investir no esporte, e é preciso que os  clubes estejam preparados para essa nova realidade, oferecendo novos produtos ou serviço capazes de atrair esses investidores.

Existem alternativas para conseguir recursos sem a necessidade de transformar camisas de futebol em abadás. Patrocínio a programas de sócio-torcedor e produtos licenciados são projetos que ainda são incipientes no país, e podem ser melhor explorados.

Com certeza, agregam muito mais valor ao clube e empresa do que estampar uma logomarca azul num número dourado.

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23/07/2010 at 15:36 Deixe um comentário

Comemore, palmeirense. Mas com moderação

No Palmeiras, Felipão chega, dá entrevista coletiva e a torcida comemora. E com toda a razão.

O velho novo técnico faz com que qualquer torcedor relembre os tempos mais felizes do clube, quando era protagonista nos campeonatos que disputava, quando não era apenas um ‘gigante adormecido’ (clichê, mas necessário) no futebol paulista.

Pelo mesmo caminho, a chegada de Kléber e a possível vinda de Valdívia fazem os torcedores suspirarem.

Mas, junto com os suspiros e a alegria, é bom ficar alerta.

Um clube que evitava gastos excessivos resolve comprar metade dos direitos federativos de Kleber, tenta trazer Valdívia e, mesmo com parceiros, paga R$ 700 mil a Luiz Felipe Scolari. E tudo isso nos seis últimos meses do mandato de Belluzo.

Depois de ser tido como esperança para a renovação na maneira de gerir o futebol, Belluzzo se mostrou assustado com o que encontrou. Além disso, se expôs demais e ainda adotou um comportamento de torcedor, que não condiz com o cargo, ao dizer na festa da Mancha Verde que iria “matar os bambis” e ainda prometer “dar uns tapas na bunda” de Carlos Eugênio Simon. Pior que isso é a falta de títulos, mesmo com a parceria firmada com a Traffic. Torcedores e outros dirigentes não engoliram ainda a perda do Brasileirão de 2009.

A atitude de Belluzzo de contratar jogadores e técnicos de impacto mostra um dirigente desesperado para fechar seu ciclo (ou iniciar outro como presidente) de forma positiva. Até a Parmalat, que entrou em processo de recuperação judicial há cinco anos e estava afastada do futebol há onze, voltou.

Mas a alegria palmeirense terá custos. A camisa será, sim, loteada. A Fiat, patrocinadora do clube no Paulistão de 2008 voltou (o clube ainda paga multa para a Samsung), a Parmalat nas mangas, a TIM deve entrar no número da camisa, e calções estão disponíveis. O ingresso também sairá mais caro.

Se a conta não fechar, sobra para a próxima gestão. Tenho dó daquele que substituir Belluzzo no ano que vem.

Mas quem se importa com isso? Torcedor quer ganhar título.

15/07/2010 at 12:21 Deixe um comentário

A Copa de 2010 foi da: Ja-bu-la-ni!

David Villa, Miroslav Klose, Dunga, Maradona?

Nenum desses nomes foi tão falado quanto Jabulani, que significa celebração em zulu.

Foi esse o nome usado pela Adidas, patrocinadora da Fifa e fabricante das bolas desde a Copa de 1970, para batizar aquela que foi usada na África do Sul.

As reclamações dos jogadores, somados aos problemas apresentados e seu nome, de sonoridade engraçada fizeram da bola ruim um sucesso.

Músicos fizeram músicas com a bola, uma família tentou registrar oa filha com esse nome, várias matérias foram feitas sobre os efeitos do material e até o apresentador Cid Moreira eternizou, em uma gravação, a palavra Jabulani.

Mas quem gostou mesmo do buzz provocado pela Jabulani foi a Adidas. O site Máquina do Esporte publicou um estudo realizado pelo Instituto Nielsen, mostrando que o nome do objeto aparece em 8% das mensagens escritas em inglês na internet durante a Copa do Mundo.

Entre as patrocinadoras oficiais da Copa, a Adidas foi quem mais obteve crescimento de citações da marca, de acordo com a pesquisa. Hyundai e McDonald’s, por exemplo, cresceram em torno de 2%.

Srgundo Peter Blachshaw, vice-presidente de estratégia digital do Nielsen, esta onda de comentários pode ser positiva para a empresa alemã, e aponta um fator: “A Adidas conseguiu fazer sua página no Facebook passar de um milhão de fãs, e aproveita essa base para despejar conteúdos novos todos os dias.”

Copa do Mundo é um grande balcão de negócios, e neste a Adidas saiu na frente das concorrentes, pois soube aproveitar um cenário negativo e revertê-l0.

Se a bola é boa ou ruim, na prática, tanto faz. Quando você menos esperar, vai estar repetindo, tentando imitar a voz de Cid Moreira:

Ja-bu-laaaaaaaaa-ni!

08/07/2010 at 17:06 1 comentário

O fenômeno Dunga. Parabéns, Agência África

“O Brasil está com o Dunga! Chupa imprensa!”

Este foi o comentário por email de um ouvinte do programa Estádio 97 logo após a vitória brasileira sobre o Chile.

Aí você pode dizer: ah, é apenas o comentário de um torcedor. Ele não reflete a realidade.

Mas, pouco antes, durante a conversa entre Galvão Bueno e a mãe de Kaká, Simone Leite, veio a frase: “depois da entrevista que você deu, falando do seu pai, queria dizer que o Brasil está com você, Dunga!”

Ou seja, o treinador e seu discurso patriótico e comprometido conquistaram o Brasil. Dunga é um fenômeno de popularidade, comparável até ao presidente Lula.

Nem mesmo os xingamentos ao comentarista Alex Escobar durante uma coletiva de imprensa da Fifa arranharam a imagem do treinador diante do grande público. E, para aqueles que ficaram espantados, ele pediu desculpas. Não ao jornalista, mas aos torcedores.

Citou também o drama familiar, com o pai que sofre do Mal de Alzheimer. Não chorou, mas transpareceu toda sua emoção ao falar do pai.

Se foi sincero ou uma grande saída da assessoria de imprensa da CBF, tanto faz. O fato é que o fato deixou Dunga mais simpático aos olhos dos torcedores, que veem no treinador da Seleção uma pessoa como qualquer outra, que já sofreu muito na vida, foi maltratado e deu a volta por cima. Um espelho daquilo que todo brasileiro deseja. Um “guerreiro”.

Mérito de Dunga? Também. Mas grande parte desse mérito pode ser dado à Agência África, responsável pelas campanhas da Ambev e, no caso, da Brahma, patrocinadora da Seleção e do treinador. Foi ela, em conjunto com o marketing da cervejaria, que deu o contorno guerreiro ao jogador e à Seleção.

Apostou em campanhas de profundo apelo emocional, misturando as dificuldades no futebol com as dificuldades no dia-a-dia de cada cidadão e também no marketing de relacionamento, especialmente nas redes sociais.  E o resultado não poderia ser melhor.

Pouco importa se Dunga é grosseiro, rancoroso ou mal educado. O treinador é visto pelo público como um mártir, ou um Rambo, o exército de um homem só. Capaz de enfrentar a maior emissora de TV do país de forma destemida. Que evoca o espírito patriota dormente em cada brasileiro.

O discurso é piegas? Pode ser para os jornalistas, que Dunga tanto odeia. Mas o público dá sinais positivos. Encampa a batalha. Entende que tudo se resume a uma guerra. “Na Copa, é o Brasil contra o resto do mundo”, diz o comercial da Brahma. Jornalistas estão do outro lado da trincheira, representada pela mesa da coletiva, como inimigos.

Talvez porque, ainda de acordo com um dos comerciais: “Eu queria que a Seleção fosse para a Copa como quem vai para uma batalha!”.

E eu, achando que tudo isso são apenas jogos de futebol, devo estar errado.

É tudo um grande “Ensaio Sobre a Cegueira (desculpe, Saramago. Não resisti à tentação)? Não. Jornalistas que estão errados.

Então, so me resta dar os parabéns ao “Guerreiro” Dunga. E, especialmente, à Agência África e à Ambev, que moldaram tal estereótipo.

29/06/2010 at 07:20 1 comentário

Flamengo e Zico. Não pode ser só marketing

Imagem: blog do Lédio Carmona

Vinte anos depois, Zico, o maior jogador da história do Flamengo volta ao clube com o cargo de diretor executivo de futebol. Essa foi a principal notícia do domingo pré-Copa.

Ainda não há detalhes de como será o projeto, quais serão suas atribuições, mas a parceria entre o Galinho e seu clube do coração tem tudo para ser boa…

… Se:

– Não ficar restrita apenas ao marketing de clube, ou seja, venda de camisas, chaveiros, bonequinhos e camisas retrô.

– Tiver autonomia e liberdade para trabalhar, sem a influência de pessoas que querem apenas holofotes.

– O clube resolver se profissionalizar, investindo em estrutura, centros de treinamento e fisiologia adequados para um clube da série A.

Ao trazer Zico, o Flamengo dá, finalmente, um passo rumo à modernização. O Galinho, além da experiência acumulada no desenvolvimento do futebol no Japão e de experiências como treinador na Turquia, Uzbequistão, Rússia e Grécia, tem uma visão diferente dos demais. Sabe ver o que falta para o Fla e como resolver cada problema.

Mas, para que dê certo, o time da Gávea também precisa se ajudar. Deixar para trás toda a bagunça administrativa e aproveitar a passagem de Zico para construir algo positivo. As palavras planejamento e organização deverão estar sempre presentes.

O “marketing”? Este pode esperar. Afinal, não haverá melhor marketing do que uma gestão que seja organizada e proveitosa. Títulos são consequência.

E é justamente aí que entra o grande tempero desta relação: a torcida. Somente a presença de Zico não tornará um clube desorganizado, devedor e defasado numa potência mundial, como na década de 80. Até porque Zico não vem para jogar, e sim para gerir o futebol rubro-negro.

Se normalmente já é uma virtude, a paciência deverá ser uma constante entre os torcedores. Só assim, o novo diretor poderá trabalhar melhor. Títulos são resultados de bons trabalhos dentro e fora de campo.

31/05/2010 at 12:40 Deixe um comentário

“A gente é o quê? Guerreiro!”

Muito mais do que a população, quem fica feliz com a chegada da Copa do Mundo são os departamentos de marketing e agências de propaganda.

É a hora de usar todo o apelo do maior evento esportivo do planeta e a mobilização popular para vender. E tudo fica nas cores do país.

Porém, infelizmente, muitas empresas e boas agências pecam na qualidade das campanhas, tanto na execução quanto na ideologia. A ideia de mostrar que é parceira da Seleção ou que torce junto pelo time acaba dando errado.

Guerreiro?

Exemplo disso é a campanha da Agência África para a Ambev. A Brahma, como patrocinadora da Seleção e da Copa do Mundo, criou campanhas que exaltam o lado “guerreiro” do brasileiro e associou essa característica à Seleção.

“Eu queria que a Seleção fosse para a Copa como quem vai para uma batalha!”, diz um dos comerciais com imagens que misturam campos de futebol e praças de guerra. Em outro, a frase “Na Copa, é o Brasil contra o resto do mundo”.

Tudo muito legal, mas peraí: não é para ser apenas um jogo de futebol? E o esporte não deveria ser diversão, entretenimento? O espírito de guerra, ainda mais para um país conhecido internacionalmente por ser pacífico, não está um pouco inadequado para a ocasião?

“A nossa intenção é incentivar ainda mais a paixão pelo futebol, a paixão que o torcedor tem pela camisa da seleção. Os valores da marca, do “brahmeiro” – o brasileiro trabalhador que batalha pelos seus sonhos com garra e determinação – são também os valores que permeiam o futebol. Todo o brasileiro quer ver a seleção entrar em campo com atitude e garra, para defender a camisa e fazer o melhor”, palavras de Marcel Marcondes, diretor de marketing de Brahma, ao blog Design Informa.

Então tá…

Qual é o seu esporte?

“O nosso esporte é torcer pelo Brasil”, diz o slogan da Globo. Nada de muito diferente da linha editorial da emissora. O ufanismo, alardeado na voz de Galvão Bueno, sempre foi grande.

Mas a campanha foi bem fraca: sósias de jogadores com camisas dos 20 clubes da Série A se abraçando no vestiário e entrando em campo com a camisa da Seleção. O curioso é que apenas três* jogadores convocados atuam no país: Robinho e Gilberto.

Se a Copa do Mundo é o momento de reinventar um sentimento patriótico que some nos três anos que precedem o torneio, que se faça pelo menos com qualidade.

Veja abaixo dois exemplos dos vizinhos argentinos:

Quilmes – Patrocinadora da Seleção Argentina:

TyC Sports – Emissora de TV:

* Informação corrigida.

19/05/2010 at 11:52 2 comentários

10 patrocinadores. E daí?*

Quem acompanhou a coletiva do técnico Dunga após a convocação da Seleção reparou na quantidade e variedade de patrocínios à Seleção Brasileira. E hoje a CBF anunciou seu 10° patrocinador. A Nestlé.

Sim, você leu certo. 10°! Difícil fugir da óbvia analogia de praticamente um patrocinador para cada titular do time de Dunga.

A empresa deve pagar R$ 10 milhões anuais, até a Copa de 2014, fora ações conjuntas de marketing, exposição em placas de publicidade, utilização de logo da CBF em seus produtos.

No ano passado, a CBF captou R$ 164,9 milhões em patrocínios. Para este ano, a previsão é de R$ 220 milhões.Para fazer uma comparação, o Corinthians, clube com o maior patrocínio do país, fechou patrocínio de de R$ 36 milhões.

É óbvio que o fator Copa do Mundo e o fator 2014 são atrativos para o investidor, mas fica a pergunta. Com R$ 220 milhões anuais, o que melhorou?

Os clubes, afiliados indiretamente à CBF (eles são afiliados às Federações), continuam endividados, carentes das cotas de televisão e tratados no cabresto, submissos à vontade dos cartolas.

Metade dos estádios sequer começou as obras de reforma para a Copa. Muitos deles não tem sequer garantia financeira para isso.

A CBF está riquíssima. Anunciou lucro recorde de R$ 72,3 milhões na temporada 2009. Orgulho de quem?

Meu não é.

* Informação corrigida.

14/05/2010 at 15:29 1 comentário

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