Posts filed under ‘Futebol Internacional’

O quebra-cabeças da entidade máxima do futebol mundial

O número 2 da Fifa troca e-mails com um membro do comitê executivo da entidade. Em um deles, a acusação de que o Qatar comprou a Copa de 2022. Ainda assim, Sepp Blatter diz que não há crise na Fifa.

Há uma semana, o programa Panorama, da inglesa BBC, apontou que dois membros deste comitê tiveram de devolver propina recebida para evitar processo da justiça suíça.

Os dois acusados seriam João Havelange e… Ricardo Teixeira, presidente da CBF e do COL (Comitê Organizador Local da Copa de 2014).

Claro, a investigação vem da Inglaterra, país preterido na disputa pela Copa de 2022, quando concorreu com o Qatar e teve apenas dois votos.

Curiosamente, Ricardo Teixeira teve grande aproximação com Mohamed Bin Hamman, presidente da federação do Qatar e banido da Fifa acusado de corrupção. Ambos trocaram favores.

Bin Hamman esteve em São Paulo e cogitou apoiar a construção do estádio do Corinthians, cujas obras começaram na última segunda.

As denúncias contra o presidente da CBF foram arquivadas por falta de provas. E Teixeira tem pretensões maiores na Fifa.

Com certeza, há muito mais ainda a ser descoberto. Quando todos os envolvidos são suspeitos, é preocupante. E isso só acontece porque a Fifa, assim como a CBF, é um feudo. Administrado de forma praticamente familiar e sem um poder superior para regulá-la.

Impossível não recair nenhuma suspeita sobre a Copa de 2014. E mais impossível ainda é não achar, no mínimo, curioso ter quatro Mundiais em países em desenvolvimento: África do Sul, Brasil, Rússia e Qatar.

A Fifa faz o Senado Federal parecer as Casas André Luiz.

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31/05/2011 at 09:59 Deixe um comentário

O magnânimo Barcelona. Não apenas no futebol

Uma estranheza na escalação do Barcelona, em plena final de UEFA Champions League.  Capitão, exemplo, formado nas categorias de base catalãs, Puyol estava no banco de reservas.

Sim, no banco. Mascherano (quem diria?) era o titular. Titular também era Abidal, que passou por uma delicada operação para a retirada de um tumor.

E o que aconteceu no jogo todos sabem. Três gols dos três atacantes do Barça, com passe dos três meias, domínio total, show de Messi e Xavi…

E  Puyol no banco.

Será que o capitão não levantaria a taça mais cobiçada do futebol mundial?

Foi quando Pep Guardiola deu o exemplo. Sem a menor necessidade tática, Carles Puyol entra no lugar de Daniel Alves e recebe a faixa de capitão de Xavi.

Só isso já serviria de exemplo.  Mas chega a hora da entrega das medalhas e Puyol, de agasalho, é o penúltimo a receber. Atrás dele, Abidal.  O lateral recebe a última medalha e, sozinho, levanta a taça.

Quantos outros jogadores teriam a sensibilidade de oferecer este privilégio a um companheiro de trabalho?

Sim, o Barcelona não é um exemplo apenas dentro de campo. Realmente, é mais que um clube.

Parabéns!

 

30/05/2011 at 13:43 1 comentário

Alguém quer um Imperador?

Em mais um capítulo de sua conturbada carreira, Adriano teve seu contrato rescindido pela Roma, da Itália.

O negócio foi fechado em maio de 2010. Adriano começou a jogar em agosto e, oito jogos depois (isso! só oito!), 15 quilos a mais e nenhum gol, sem contar as passagens pelo Rio neste período, os italianos perceberam o tamanho do erro e o devolveram.

O problema é: para quem?

Não faltam interessados. Palmeiras, Flamengo e Corinthians, de alguma forma, o querem. Mas ninguém é capaz de grandes esforços pelo jogador de 29 anos. Não pelo futebol, este inconcestável – Adriano joga mais que Drogba e a maior parte dos atacantes do badalado futebol europeu – mas pela falta de compromisso que ele tem com ele mesmo.

Se não veste a camisa 10 da Internazionale e a 9 da Seleção, é por ‘culpa’ dele. Há de se entender também o trauma causado pela perda do pai, até hoje não curado, mas até para isso há limites. O Imperador deixou de ser um atleta profissional. Criou um personagem e fugiu da realidade, com o agravante de que ele realmente acredita nela.

Até mesmo Patrícia Amorim, que abriu as portas da Gávea para o jogador, hoje está receosa. Joga a decisão para Luxemburgo, que devolve para Patrícia. Ou seja, as portas estão fechando.

Há praticamente três anos, escrevi, em outro blog o texto chamado ‘Um bonde chamado Adriano’. No final dele, perguntei o que Adriano queria da vida. Até hoje, não sei a resposta.

Fica a grande sensação de um enorme desperdício. Como já disse, ele foi um dos grandes atacantes do futebol mundial. Atualmente, acumula decepções em dirigentes e torcedores. E só faz mal a si mesmo, mais ninguém.

Torço para que se recupere, sobretudo para que a cabeça do Imperador esteja bem resolvida. Mas não custa perguntar de novo:

Adriano, o que você quer da vida?

09/03/2011 at 15:21 Deixe um comentário

Obrigado, Fenômeno!

Brinco de ser blogueiro desde 2005. E, talvez, nunca tenha tenha feito um post tão difícil quanto esse. Falar da aposentadoria de Ronaldo é uma tarefa que ninguém quer ter de realizar, por um simples motivo. Ninguém queria que Ronaldo parasse. Nem mesmo eu, que tantas vezes pedi que repensasse o fim da sua carreira por respeito a si mesmo.

Ronaldo foi o primeiro gênio que eu vi nascer para o futebol. Não vi os anteriores, mas acredito que depois de Zico e Romário, só Ronaldo (e Ronaldinho) tiveram genialidade semelhante.

Mas o Fenômeno tinha algo maior. O carisma, a inteligência, o forte apelo de mídia… Tudo fazia de Ronaldo ainda maior.

E, no auge, veio a característica que transformou Ronaldo no exemplo para todos os brasileiros: a superação. Se Ronaldo superou duas cirurgias de joelho e ainda foi o artilheiro da Copa de 2002, por que não se superar no dia a dia? Se ele, milhonário, acordava todo dia para se vencer as dores e se recuperar, por que nós não podemos?

É óbvio. Teve falhas na carreira, polêmicas, situações desconfortáveis… Mas, até aí, quem não as teve?

Foram duas Copas e um vice-campeonato, fora o fato de ser o maior artilheiro da história das Copas. Três vezes melhor do mundo.

Não ganhou a Libertadores? Nem o Brasileiro? Azar dos dois torneios!

Um post não vai ilustrar a imensa gratidão que eu, como amante de futebol, tenho por ter visto Ronaldo Luiz Nazário de Lima jogar. O futebol fica hoje mais triste, menos inteligente e menos genial. O maior atacante da história (e quem diz isso é o jornal Marca, da Espanha) parou.

Não vou mais me alongar.

De coração: obrigado, Fenômeno!

14/02/2011 at 10:07 Deixe um comentário

Ih, rapaz!

Toda vez que acontece um vexame como o do Corinthians no Pacaembu, dá vontade de dar o título “Crônica de uma morte anunciada”. É um chichê, daqueles já desgastados, mas que será usado hoje em boa parte dos programas esportivos…

O problema é que, de fato, a eliminação do Corinthians na fase inicial da Libertadores já era bem previsível. Para entender o raciocínio, precisamos voltar no tempo.

No início do segundo semestre, o Corinthians contratou Adilson Baptista, para substituir Mano Menezes, convocado para treinar a Seleção. Não deu certo. Veio Tite, desacreditado após fracassar com o Internacional na Libertadores 2009, ano do centenário do clube. O time perdeu pontos contra dois rebaixados, Vitória e Goiás. O jogo no Serra Dourada rendeu ao Corinthians não se classificar diretamente para a fase de grupos.

Em dezembro, William ratificou sua aposentadoria, já anunciada seis meses antes. Ninguém foi contratado para o seu lugar.

Em janeiro, Elias foi para o Atlético de Madrid. Ninguém foi contratado para o seu lugar.

Por que? Porque o Corinthians esperava por Adriano, pelas obras do estádio e depois resolveu esperar por Luis Fabiano, a quem ofereceu 7 milhões de euros. Não era o caso de diluir essa quantia em bons reforços? Um volante e um zagueiro, por exemplo.

Veio a partida contra o Tolima e, sejamos francos. Um time que não ganhou nada que disputou no último ano e ainda desfalcado tem condições de ganhar agora?

A derrota para os colombianos tem muito a ver com o que aconteceu dentro de campo. Péssimas atuações individuais, péssimas decisões da comissão técnica, substituições ainda piores. Mas, sobretudo, é um problema gerencial. Faltou foco, planejamento de quem deveria comandar o clube, já que tanto alardeou que o centenário só acabaria em setembro de 2011. E teve gente que caiu nessa conversa…

E Ronaldo, pelo amor de Deus. Em respeito a tudo que fez pelo futebol, tome uma decisão. Ou leve seu último ano de carreira a sério, ou antecipe sua aposentadoria.  Com o corpo que você jogou ontem, mais parecida o apresentador/DJ da foto que ilustra o post.

03/02/2011 at 09:42 2 comentários

Melhor do mundo

Sempre fui um crítico dos prêmios de melhor do mundo que a Fifa concedia. Acho que não deveriam participar apenas jogadores que atuam na Europa, assim como acho que a premiação não ratifica o melhor jogador do mundo, mas sim o protagonista da temporada.

Mas dessa vez, fui surpreendido.

Sem Sneidjer, injustamente fora dos três indicados, era de se imaginar que a Bola de Ouro cairia no colo de Xavi ou Iniesta. Talvez o segundo, por ter feito o gol do título espanhol.

Messi é o melhor jogador do mundo, talvez seguido por Cristiano Ronaldo. Isso é fato.

Mas Messi não foi o melhor de 2010, de acordo com os critérios que elegeram os outros melhores do mundo. Foi ‘apenas’ campeão espanhol, e não fez um gol na Copa do Mundo.

Protagonizou pela habilidade, pelos lances geniais, mas não pelos títulos.

Mesmo assim, não dá para achar a eleição injusta. O argentino está acima dos demais. É o gênio contra dois craques espanhois e também de Sneidjer.

O mais importante deste evento foi o fato de valorizar um estilo de jogo. Quem gosta de futebol fica encantado com a filosofia de jogo do Barcelona.

Ver o meio-campo catalão eleito melhor do mundo pode servir de reflexão para alguns técnicos brasileiros, que insistem em um atacante, três zagueiros, quatro volantes…

Futebol é feito para construir, para buscar a vitória e não evitar a derrota. O passe, com qualidade, é muito mais eficaz que chuveirinhos na intermediária.

E vale também a menção à brasileira Marta. Cinco vezes seguidas eleita a melhor jogadora do Planeta.

Também é válida a série de alterações promovidas pela Fifa. O melhor treinador e treinadora do ano, o time ideal. Mesmo maior, a festa não perde o encanto, especialmente por ser rápida e não ter discursos longos, homenagens políticas chatas.

10/01/2011 at 16:53 Deixe um comentário

Ronaldinho e a sociedade do espetáculo

“Toda a vida das sociedades […] se apresenta como uma imensa acumulação de espetáculos. Tudo o que era vivido diretamente tornou-se uma representação” (Guy Debord, em A Sociedade do Espetáculo)

Hotel Copacabana Palace, Rio de Janeiro. Mais de 50 jornalistas brasileiros, alguns italianos, sem contar os que estavam na redação e esperaram quase 1h para o início do evento, cerca de 500 torcedores, transmissão ao vivo pela TV…

Tudo para acompanhar a decisão de um homem de 30 anos (idade idealizada para o sucesso nos dias de hoje, quando se marca casamento, se compra casa ou atinge bons cargos no trabalho) sobre em que parte do país ele ganhará R$ 1 milhão/ mês, ou seja, uma loteria a cada 30 dias.

E nem assim a decisão foi comunicada. Apenas foi anunciado que o jogador anunciará a decisão no momento oportuno.

Sim, uma coletiva para avisar a imprensa que ela será avisada quando a decisão for tomada! E isso parou a vida de muita gente. Pode apostar nisso!

A coletiva foi acompanhada com a curiosidade de um ‘paredão’ do Big Brother Brasil, e o final dela, sem desfecho, foi o anticlímax do final de novela, que deixa o mais importante para o dia seguinte.

Ronaldinho foi o exemplo vivo do que os professores de comunicação definem como A Sociedade do Espetáculo, que Guy Debord definiu.  Este conceito, numa explicação bem rasa, é a transformação de tudo que existe em espetáculo, que gera um fetiche na sociedade.

É a sociedade em que ex-BBBs contratam paparazzi para flagrá-los correndo na praia, que atores ou cantores aparecem em eventos, contratados, para fingir que estão apenas prestigiando o local, que Nana Gouveia aparece com os seios a mostra de três em três meses…

E todos nós esperamos, ávidos, por essas “notícias”. Não por acaso a Caras é uma das revistas mais vendidas do país.

E viva o circo! Viva o Big Brother!

Hoje tem palhaço? Tem, sim senhor!

06/01/2011 at 19:36 Deixe um comentário

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