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Felipe Massa e o heroismo

O assunto já é velho, mas a discussão está longe de terminar.

Desde que Felipe Massa deixou seu companheiro Fernando Alonso ultrapassá-lo no GP da Alemanha, no dia 25 de junho, uma avalanche de comentários, críticas e xingamentos foram feitos ao piloto.

Muitos deles, com razão. Afinal, Massa teve uma conduta anti-desportiva, fruto das ordens de sua equipe. Pode não ter sido o culpado, mas corroborou com a trapaça.

A Revista IstoÉ, que se autoproclama ‘independente’, tratou do assunto na capa da edição desta semana. Num texto com um toque ufanista, ‘pachecão’ e bastante raso, a publicação não poupa palavras para criticar o comportamento do piloto ferrarista.

O mais interessante é que quando a mesma coisa aconteceu com Rubinho Barrichello, o brasileiro foi tratado como ‘coitadinho’. Massa foi anti-ético e “calou a alma dos milhares de brasileiros”, como disse a revista.

Massa nunca teve a mesma postura complacente de Rubinho. Parecia mais aguerrido, disposto a lutar sempre pela vitória e esse comportamento levou o público a voltar a sentir emoção com as corridas de Formula 1. Emoção que acabou com a manobra de Alonso.

Pelos comentários nas redes sociais e pela matéria da IstoÉ, percebe-se a falta que o brasileiro sente de um heroi, alguém capaz de enfrentar tudo e todos em nome do seu país. Dunga quase foi alçado a este posto, muito mais pela postura de ‘peitar’ a TV Globo do que, exatamente, pelo seu currículo como treinador.

E isso é natural. Afinal, um país com uma democracia recente e que conviveu com o ‘complexo de vira-lata’ e que só tem no esporte a redenção para todos os problemas sociais e estruturais precisa de pessoas de postura aguerrida, capazes de mostrar ao mundo um comportamento que todos os brasileiros projetam como ideal. Mesmo que esse não seja o comportamento padrão do brasileiro.

Massa fez aquilo que, infelizmente, muita gente faz no seu dia-a-dia: cometer um erro e aceitar uma ordem para manter o emprego. Quantos não querem se rebelar e não podem, em função dos compromissos e contas já assumidas? Era justamente isso que muitos queriam que o ferrarista fizesse. Mas não fez.

Curiosamente, uma semana depois, Rubens Barrichello, que sempre conviveu com a fama de ser bonzinho demais, subserviente e pouco aguerrido, teve uma das atitudes mais corajosas da F1 nos últimos tempos: ultrapassou Michael Schumacher numa das manobras mais perigosas da temporada. Foi mitificado pela atitude e praticamente perdoado pelos anos como segundo piloto.

O cargo de heroi nacional está vago. Faltam candidatos para ocupá-lo.

04/08/2010 at 12:38 Deixe um comentário


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