Posts filed under ‘Copa do Mundo’

Obrigado, Fenômeno!

Brinco de ser blogueiro desde 2005. E, talvez, nunca tenha tenha feito um post tão difícil quanto esse. Falar da aposentadoria de Ronaldo é uma tarefa que ninguém quer ter de realizar, por um simples motivo. Ninguém queria que Ronaldo parasse. Nem mesmo eu, que tantas vezes pedi que repensasse o fim da sua carreira por respeito a si mesmo.

Ronaldo foi o primeiro gênio que eu vi nascer para o futebol. Não vi os anteriores, mas acredito que depois de Zico e Romário, só Ronaldo (e Ronaldinho) tiveram genialidade semelhante.

Mas o Fenômeno tinha algo maior. O carisma, a inteligência, o forte apelo de mídia… Tudo fazia de Ronaldo ainda maior.

E, no auge, veio a característica que transformou Ronaldo no exemplo para todos os brasileiros: a superação. Se Ronaldo superou duas cirurgias de joelho e ainda foi o artilheiro da Copa de 2002, por que não se superar no dia a dia? Se ele, milhonário, acordava todo dia para se vencer as dores e se recuperar, por que nós não podemos?

É óbvio. Teve falhas na carreira, polêmicas, situações desconfortáveis… Mas, até aí, quem não as teve?

Foram duas Copas e um vice-campeonato, fora o fato de ser o maior artilheiro da história das Copas. Três vezes melhor do mundo.

Não ganhou a Libertadores? Nem o Brasileiro? Azar dos dois torneios!

Um post não vai ilustrar a imensa gratidão que eu, como amante de futebol, tenho por ter visto Ronaldo Luiz Nazário de Lima jogar. O futebol fica hoje mais triste, menos inteligente e menos genial. O maior atacante da história (e quem diz isso é o jornal Marca, da Espanha) parou.

Não vou mais me alongar.

De coração: obrigado, Fenômeno!

14/02/2011 at 10:07 Deixe um comentário

Treinar pra que?

Numa situação normal, portais e jornais começariam a nota assim: “Mano Menezes fez hoje sua segunda convocação para a Seleção Brasileira visando os jogos contra….”

Mas esbarraram num fato novo: não haverá jogos. O treinador da Seleção convocou 22 jogadores para um período de treinos na Europa.

É! Isso mesmo! Treinos!

Enquanto seleções europeias disputarão jogos eliminatórios para a Euro 2012, o Brasil não conseguiu nenhum adversário para aproveitar as duas datas Fifa disponíveis. Com esse erro absurdo de gestão, Mano acertou em utilizar os jogadores para um período de treinos. Afinal, não é culpa dele o fato de a CBF não ter a mínima capacidade de planejamento.

E o mais absurdo. A CBF tem um local específico para treinamentos, a Granja Comary. E por que a Seleção não vai treinar lá? Porque, segundo seu treinador, não tem condições ideais para esse trabalho.

Isso mesmo. O local onde a Seleção Brasileira realiza seus treinamentos não está em condições de ter uma semana de treinos. Inacreditável!

Nunca é demais lembrar que a preparação da Seleção Brasileira para a Copa do Mundo visa, no mínimo, o título da competição. Era o momento de o planejamento brasileiro ser exemplar fora e também dentro de campo.

Não me parece possível acreditar na justificativa que a Seleção não encontrou adversários para atuar. As datas Fifa estão definidas há bastante tempo e era perfeitamente possível conseguir um adversário se tudo fosse realizado com maior antecedência.

Além disso, uma Confederação que recebe R$ 200 milhões/ano de patrocínio tem a obrigação de ter um centro de treinamentos em boas condições. É o mínimo que ela pode fazer por aquilo que representa, o futebol nacional.

Talvez esses problemas sejam explicados pelo fato de o presidente da CBF ser o mesmo do Comitê Organizador Local para a Copa de 14, como o próprio costuma dizer. É uma pena que a palavra planejamento seja repetida apenas em longos e inúcuos discursos, que não são transportados para a realidade.

Para um período de treinos, poderiam ser convocados Romário (que nunca gostou), Ronaldo (que precisa), Pelé… Tanto faz. Pelo menos Mano montou uma boa lista com estrangeiros e fez seu papel.

Realmente, a Fifa não sabe com quem está se metendo, como diria o José Ilan, do GloboEsporte.com, no Twitter.

Ah, claro… A lista:

Goleiros:

Gomes (Tottenham); Diego Alves (Almería).

Laterais: Daniel Alves (Barcelona), Rafael (Manchester United), André Santos (Fenerbahçe) e Marcelo (Real Madrid).

Zagueiros: Alex (Chelsea), David Luiz (Benfica), Henrique (Racing Santander) e Thiago Silva (Milan).

Volantes e meias: Carlos Eduardo (Hoffenheim), Douglas Costa (Shakhtar), Fernandinho (Shakhtar), Hernanes (Lazio), Lucas (Liverpool), Philippe Coutinho (Inter de Milão), Ramires (Chelsea) e Sandro (Tottenham).

Atacantes: Alexandre Pato (Milan), André (Dínamo de Kiev), Hulk (Porto) e Robinho (Manchester City).

20/08/2010 at 17:15 Deixe um comentário

É só o começo

Foto: Globoesporte.com

Renan, Jefferson e Victor (goleiros). Rafael, Marcelo, André Santos e Daniel Alves (laterais). David Luiz, Henrique, Réver e Thiago Silva (zagueiros). Ederson, Carlos Eduardo, Hernanes, Sandro, Paulo Henrique Ganso, Lucas, Jucilei eRamires (meias). Robinho, Neymar, Alexandre Pato, André e Diego Tardelli (atacantes).

Esses são os primeiros convocados pelo  técnico Mano Menezes.

Sete desses jogadores têm idade olímpica, onze vestem pela primeira vez a camisa amarela e quatro são remanescentes da Copa na África do Sul.

A convocação tem nomes interessantes e outros surpreendentes. Alguns inclusive se encaixam nas duas categorias: os goleiros Jefferson e Renan, Henrique, zagueiro e os meias Ederson e, especialmente Jucilei, bom jogador que nunca foi titular absoluto no Corinthians. De resto, bons nomes. Um pouco daquilo que a opinião pública pedia, como Ganso, Neymar e Hernanes.

A lista é boa e mostra um objetivo, que é preparar o time para as Olimpíadas e dar experiência a novos jogadores.  Tudo isso foi muito bem explicado pelo treinador, sem a necessidade de alfinetadas ou ameaças. Explicou também que prefere o 4-2-3-1, semelhante ao usado por Alemanha e Holanda durante a Copa e que quer manter a organização tática deixada por Dunga.

Podería ter outros nomes, como Alex Silva, Miranda, Dentinho, mas é apenas o começo de um trabalho. Muitos desses nomes não vão estar em 2014. Na primeira convocação, Dunga chamou Morais, Wagner e Jônatas, por exemplo.

Todas as listas de qualquer Seleção Brasileira vão causar divergências em alguns nomes, é natural. Mas Mano mostrou foco, objetivo e foi bem, especialmente para quem teve dois dias para fazê-lo.

Merece o crédito.

Renan Avaí
Jefferson Botafogo
Victor Grêmio
Laterais
Rafael Manchester United
Marcelo Real Madrid
André Santos Fenerbahçe
Daniel Alves Barcelona
Zagueiros
David Luiz Benfica
Henrique Racing Santander
Réver Atlético-MG
Thiago Silva Milan
Meias
Ederson Lyon
Carlos Eduardo Hoffenheim
Hernanes São Paulo
Sandro Internacional
Paulo Henrique Ganso Santos
Lucas Liverpool
Jucilei Corinthians
Ramires Benfica
Atacantes
Robinho Santos
Neymar Santos
Alexandre Pato Milan
André Santos
Diego Tardelli Atlético-MG

26/07/2010 at 17:44 Deixe um comentário

É Muricy! E agora?

Muricy Ramalho acertou com a CBF e, dependendo do acerto com a diretoria do Fluminense, será o novo técnico da Seleção Brasileira.

Terá a missão mais difícil do mundo. Renovar a Seleção e fazê-la vencedora em 2014, ano que a Copa será disputada no Brasil.

Foi uma boa escolha? Sim, foi. Ninguém fez tanto quanto ele nos últimos quatro anos. Entre 2005 e 2009, foram três títulos do Brasileiro (2006, 07 e 08 com o São Paulo) e um vice (com o Inter, que seria campeão da Libertadores e do Mundial, no ano seguinte).

Sim, ele também saiu desgastado do São Paulo (após a eliminação para o Cruzeiro, em 2009) e teve uma passagem sem grande sucesso pelo Palmeiras. Foi ao Fluminense e mal teve o prazer de dormir líder do Brasileirão, quatro anos depois.

Só vejo um porém nessa história. E não é o estilo de jogo que Muricy gosta: pragmático, apostando na bola parada, sem se importar tanto para a beleza do futebol praticado.

Este porém está no fato de o melhor de Muricy ser o dia-a-dia com o jogador. O treinador gosta de treinar, de trabalhar (não é por acaso a frase: ‘Aqui é trabalho, meu filho!’) e não terá tempo para fazê-lo durante a maior parte do tempo. Técnico de Seleção tem, na maior parte dos casos, dois dias e um treino, no qual a conversa é a maior arma.

É justamente iso que Muricy não gosta tanto e mais terá de fazer.

Se dará certo? Difícil dizer.

Mas Muricy tem capacidade suficiente para fazer, sim, um bom trabalho na Seleção, meu filho!

23/07/2010 at 13:37 Deixe um comentário

Mano: a melhor aposta

É óbvio que tudo depende de como o trabalho será realizado.

Mas, entre os nomes citados, a dupla Mano Menezes (treinador) e Carlos Alberto Parreira (diretor de seleções) é a que mais me agrada.

Se cumprir o que promete  – e aí cada um faz seu julgamento, Ricardo Teixeira deve se dedicar apenas à presidência do Comitê Organizador da Copa de 2014. E só nisso há trabalho suficiente para sobrecarregar qualquer pessoa.

Nesse caso, alguém competente e experiente como Carlos Alberto Parreira comandaria o trabalho fora de campo, dando o respaldo necessário para que o treinador trabalhe tranquilamente.

E, dentro de campo, se a proposta é realmente de renovação, um técnico como Mano Menezes tem o perfil ideal para comandar o time. Pode ser classificado como um jovem treinador, mas tem experiência comprovada. É campeão da Copa do Brasil, bi-campeão da Série B e vice-campeão da Libertadores com o Grêmio, em 2007.

Além disso, conhece bem o futebol que se joga no país. Sabe onde estão os jovens destaques e os principais jogadores e tem um bom relacionamento com imprensa e torcida. Não é por acaso que tem (no momento exato que escrevo este post) 1.417.460 seguidores no Twitter.

Espero que Mano, se escolhido, faça um trabalho tão bom quanto os que fez nos clubes que digiriu. Mas minha torcida é que o projeto da Seleção para a Copa de 2014 seja sério e que o time, como eu já disse outras vezes, volte a jogar como Brasil.

21/07/2010 at 15:56 Deixe um comentário

Campeã que joga bola

Ainda bem que a Espanha venceu.

Por mais que pareça – e seja – um clichê, ver um time como o espanhol vencer uma Copa do Mundo dá um ar de esperança a quem ainda acredita que futebol é para aqueles que jogam bola.

Venceu o time que se impõe o tempo todo e não ‘joga de acordo com o adversário’. Venceu o time do toque de bola, dos passes certeiros e das poucas faltas.

Venceu um time experiente, mas que não abdicou da juventude de Busquets, Pedro, Navas, Llorente…

Venceu a equipe que não deixou de ser guerreira, comprometida, mas que colocou o bom futebol como ideal primário e não desistiu dele em nenhum momento, e que acreditou que seu melhor futebol venceria a Copa.

Venceu aquele que aposta em suas categorias de base. Xavi, Iniesta, Pique, Casillas… Todos jogadores que estiveram nas seleções sub-20. E o trabalho é muito bem feito na transição.

Encantou? Não. Poderia ter jogado mais.

No quesito encanto, talvez a Alemanha tenha ido melhor. Mas a Espanha tinha um time mais pronto. A Holanda, ao contrário do que muitos tentaram dizer, tem um ótimo time, mas preferiu bater ao invés de jogar. Mesmo assim é um vice-campeão merecido.

Se as Copas deixam legado para o futebol, que essa deixe a lição de que é possível jogar bem e ser competitivo; que ser guerreiro, comprometido e coerente é bom, mas que jogar bola ainda é decisivo.

* * *

A final em notas

* O gol perdido por Robben me fez entender porque Romário e Ronaldo são milhonários. Um toque por cobertura ou uma pedalada no Casillas resolveria a partida.

* Por falar em Casillas, o choro do goleiro é um daqueles momentos em que os amantes de futebol se sentem mais felizes. Emoção pura, sincera de quem teve a titularidade contestada na Copa e se redimiu jogando demais.

* Se contar David Villa, são sete jogadores do Barça no time titular espanhol. Isso explica muita coisa.

* Van Bommel bateu tudo que podia, e o juiz foi conivente. A Holanda não perdeu a Copa por isso, mas poderia ter jogado mais bola.

* Surpreendente, mas justa a eleição de Forlán como o Bola de Ouro da Copa. Carregou o Uruguai nas costas, um time muito mais limitado que Espanha e Holanda, por exemplo.

12/07/2010 at 11:33 Deixe um comentário

A Copa de 2010 foi da: Ja-bu-la-ni!

David Villa, Miroslav Klose, Dunga, Maradona?

Nenum desses nomes foi tão falado quanto Jabulani, que significa celebração em zulu.

Foi esse o nome usado pela Adidas, patrocinadora da Fifa e fabricante das bolas desde a Copa de 1970, para batizar aquela que foi usada na África do Sul.

As reclamações dos jogadores, somados aos problemas apresentados e seu nome, de sonoridade engraçada fizeram da bola ruim um sucesso.

Músicos fizeram músicas com a bola, uma família tentou registrar oa filha com esse nome, várias matérias foram feitas sobre os efeitos do material e até o apresentador Cid Moreira eternizou, em uma gravação, a palavra Jabulani.

Mas quem gostou mesmo do buzz provocado pela Jabulani foi a Adidas. O site Máquina do Esporte publicou um estudo realizado pelo Instituto Nielsen, mostrando que o nome do objeto aparece em 8% das mensagens escritas em inglês na internet durante a Copa do Mundo.

Entre as patrocinadoras oficiais da Copa, a Adidas foi quem mais obteve crescimento de citações da marca, de acordo com a pesquisa. Hyundai e McDonald’s, por exemplo, cresceram em torno de 2%.

Srgundo Peter Blachshaw, vice-presidente de estratégia digital do Nielsen, esta onda de comentários pode ser positiva para a empresa alemã, e aponta um fator: “A Adidas conseguiu fazer sua página no Facebook passar de um milhão de fãs, e aproveita essa base para despejar conteúdos novos todos os dias.”

Copa do Mundo é um grande balcão de negócios, e neste a Adidas saiu na frente das concorrentes, pois soube aproveitar um cenário negativo e revertê-l0.

Se a bola é boa ou ruim, na prática, tanto faz. Quando você menos esperar, vai estar repetindo, tentando imitar a voz de Cid Moreira:

Ja-bu-laaaaaaaaa-ni!

08/07/2010 at 17:06 1 comentário

Posts antigos


No Twitter


%d blogueiros gostam disto: