Ih, rapaz!

Toda vez que acontece um vexame como o do Corinthians no Pacaembu, dá vontade de dar o título “Crônica de uma morte anunciada”. É um chichê, daqueles já desgastados, mas que será usado hoje em boa parte dos programas esportivos…

O problema é que, de fato, a eliminação do Corinthians na fase inicial da Libertadores já era bem previsível. Para entender o raciocínio, precisamos voltar no tempo.

No início do segundo semestre, o Corinthians contratou Adilson Baptista, para substituir Mano Menezes, convocado para treinar a Seleção. Não deu certo. Veio Tite, desacreditado após fracassar com o Internacional na Libertadores 2009, ano do centenário do clube. O time perdeu pontos contra dois rebaixados, Vitória e Goiás. O jogo no Serra Dourada rendeu ao Corinthians não se classificar diretamente para a fase de grupos.

Em dezembro, William ratificou sua aposentadoria, já anunciada seis meses antes. Ninguém foi contratado para o seu lugar.

Em janeiro, Elias foi para o Atlético de Madrid. Ninguém foi contratado para o seu lugar.

Por que? Porque o Corinthians esperava por Adriano, pelas obras do estádio e depois resolveu esperar por Luis Fabiano, a quem ofereceu 7 milhões de euros. Não era o caso de diluir essa quantia em bons reforços? Um volante e um zagueiro, por exemplo.

Veio a partida contra o Tolima e, sejamos francos. Um time que não ganhou nada que disputou no último ano e ainda desfalcado tem condições de ganhar agora?

A derrota para os colombianos tem muito a ver com o que aconteceu dentro de campo. Péssimas atuações individuais, péssimas decisões da comissão técnica, substituições ainda piores. Mas, sobretudo, é um problema gerencial. Faltou foco, planejamento de quem deveria comandar o clube, já que tanto alardeou que o centenário só acabaria em setembro de 2011. E teve gente que caiu nessa conversa…

E Ronaldo, pelo amor de Deus. Em respeito a tudo que fez pelo futebol, tome uma decisão. Ou leve seu último ano de carreira a sério, ou antecipe sua aposentadoria.  Com o corpo que você jogou ontem, mais parecida o apresentador/DJ da foto que ilustra o post.

03/02/2011 at 09:42 2 comentários

O São Paulo precisa de Rivaldo. Daquele, de 1999…

Após a partida contra o Santos, uma coisa ficou clara: O São Paulo precisa de Rivaldo. Desesperadamente.

O Tricolor foi melhor no clássico de ontem. Dominou as ações , correu mais, mas não criou chances de gol. Sobraram pernas, mas faltava cérebro, lucidez.  Claro, também falta um definidor. Um camisa 9 que intimide os adversários. Willian José é interessante, bom técnicamente, mas ainda é um garoto.

O elenco de Carpegiani não tem um jogador grosso, incapaz de ser titular em qualquer time  do Brasil… Mas falta o algo mais. Falta alguém com um passe refinado, capaz de enxergar o companheiro melhor colocado e acertar o lançamento. Esse é o papel de Rivaldo, que seria cumprido com excelência se estivéssemos em 1999, quando o meia tinha 27 anos. Em abril, completará 39.

Quando  foi anunciada a contratação de Rivaldo, a última coisa que me veio à cabeça é o quanto o clube poderia arrecadar em ações de marketing com o jogador. Até porque, convenhamos… O principal problema de Rivaldo em sua carreira foi justamente o tal marketing. O novo camisa 10 do São Paulo, em seu auge, jogou muito mais que Cristiano Ronaldo e boa parte dos craques badalados da Europa, mas nunca soube se ‘vender’ como eles.

É justamente no futebol que Rivaldo dará sua maior contribuição. Se estiver em condições físicas para isso, será o articulador que o time sente falta desde… Raí, em 1999.

De qualquer maneira, vai ser interessante ver os três times de torcida mais popular no país concentrando suas energias nos herois do Penta, conquistado em 2002. Sim, há nove anos.

E quanto ao Santos, um time que tem Elano como coadjuvante  e se dá ao luxo de perder Maikon Leite pode dizer que tem um ótimo time.

31/01/2011 at 15:27 Deixe um comentário

Revolução dos bichos

“Enquanto os porcos não se decidem poderiam mandar mais lanchinhos e refrigerantes pra gente que assiste o jogo do timão na sala de imprensa”. (@thiagovphoto)

O Palmeiras decidia seu futuro. Todo processo eleitoral é complicado, ainda mais quando as eleições são indiretas. Muito interesse em jogo. Ou seja, todos tensos de um lado. Do outro, jornalistas entediados pela espera assistiam ao ‘jogo do timão’.

Foi quando veio o tweet infeliz (que abre o post) do fotógrafo Thiago Vieira, do Grupo Folha. Porém, pior ainda foi a atitude da direção palmeirense, de entrar na sala de imprensa e arrancar o fotógrafo de lá à força (na verdade, o termo seria ‘na base da porrada’).

Um conselheiro, escoltado por seguranças, aproveitou para dar um soco no fotógrafo ‘longe’ das cãmeras. Após a atitude, o fotógrafo foi desligado (via twitter, ironicamente) do jornal.

O episódio com Vieira mostra um pouco do que é esse Palmeiras. A decepção com a gestão do renomado colunista Luiz Gonzaga Belluzzo e a eleição de Paulo Nobre, ligado à ala política de Mustafá Contursi. A tensão pela falta de resultados e  as brigas políticas, com direito a sabotagens entre oposição e situação transformaram tudo em um barril de pólvora.

Não importa quem assuma o Palmeiras, se não houver união entre os diversos grupos políticos. Quem está longe do poder teme que o grupo situacionista conquiste títulos, e daí surgem os maiores absurdos possíveis.

Hoje o Palmeiras precisa voltar a pensar grande, mas sem cometer loucuras, como pagar R$ 700 mil a um treinador, ou contratar um jogador de 28 anos por R$ 14 mi. O trabalho precisa ser feito na base, tanto na categoria de base quanto na política do clube.

E quanto a agressão ao repórter que chamou os palmeirenses de porcos, o raciocínio chega até a ser engraçado, já que o ex-presidente Belluzzo foi à festa da Mancha Verde prometendo ‘matar os bambi’.

21/01/2011 at 14:33 1 comentário

Ronaldinho chegou. E o que fazer com ele?

a novela acabou!

Ronaldinho foi para o clube em que sempre quis estar. Como ele mesmo disse, “o Flamengo é o Flamengo”.

Vai estar no Rio de Janeiro,  será tratado como um Deus e, além disso, terá privilégios dignos de um.

Mas não é esse o tema do post. A questão é: o que Ronaldinho vai encontrar ao chegar na Gávea? E como Ronaldinho deve ser bem aproveitado?

O Flamengo que dará ao Gaúcho o sexto maior salário do futebol mundial é o mesmo que dispensou Corrêa, Pet e ainda não pagou a segunda metade do acordo com Diogo junto ao Olimpiakos.

Um Flamengo ainda afundado em dívidas, que procura sair de um momento político complicado, e que procura retomar a auto-estima depois do caótico caso Bruno.

Claro, o Flamengo não bancará o salário de Gaúcho sozinho. A empresa que bancará a maior parte do seu salário é a Traffic, parceira do… Palmeiras!

Dentro de campo, a expectativa é grande. Como o campeonato carioca não tem um nível técnico dos mais elevados, é bem possível que o novo 10 não encontre problemas, especialmente com a confirmação da vinda de Thiago Neves.

Mas não vejo mais motivos para empolgação. O Fla não tem um elenco com possibilidades de aguentar uma temporada inteira. As famosas peças de reposição não existem.

Mas o ponto mais preocupante está ao lado do campo. Vanderlei Luxemburgo teve um 2010 horroroso, muito abaixo da sua capacidade. O sucesso de Ronaldinho dependerá muito do treinador.

Ronaldinho é a quarta volta emblemática recente do futebol brasileiro. Adriano, Robinho e Ronaldo, remanescentes da campanha de 2006, já estiveram por aqui e com o mesmo objetivo: recuperar a imagem, retomar o status de craque em ligas mais fáceis que as europeias. Em comum, as conquistas, as confusões e a noite badalada.

Que Ronaldinho tenha sucesso no Flamengo, mas respeite sua história e a expectativa que uma nação criou sobre ele.

E um conselho: tome o terceiro amarelo um jogo antes de Grêmio x Flamengo, no Olímpico. A recepção gaúcha não será das melhores…

11/01/2011 at 09:42 Deixe um comentário

Melhor do mundo

Sempre fui um crítico dos prêmios de melhor do mundo que a Fifa concedia. Acho que não deveriam participar apenas jogadores que atuam na Europa, assim como acho que a premiação não ratifica o melhor jogador do mundo, mas sim o protagonista da temporada.

Mas dessa vez, fui surpreendido.

Sem Sneidjer, injustamente fora dos três indicados, era de se imaginar que a Bola de Ouro cairia no colo de Xavi ou Iniesta. Talvez o segundo, por ter feito o gol do título espanhol.

Messi é o melhor jogador do mundo, talvez seguido por Cristiano Ronaldo. Isso é fato.

Mas Messi não foi o melhor de 2010, de acordo com os critérios que elegeram os outros melhores do mundo. Foi ‘apenas’ campeão espanhol, e não fez um gol na Copa do Mundo.

Protagonizou pela habilidade, pelos lances geniais, mas não pelos títulos.

Mesmo assim, não dá para achar a eleição injusta. O argentino está acima dos demais. É o gênio contra dois craques espanhois e também de Sneidjer.

O mais importante deste evento foi o fato de valorizar um estilo de jogo. Quem gosta de futebol fica encantado com a filosofia de jogo do Barcelona.

Ver o meio-campo catalão eleito melhor do mundo pode servir de reflexão para alguns técnicos brasileiros, que insistem em um atacante, três zagueiros, quatro volantes…

Futebol é feito para construir, para buscar a vitória e não evitar a derrota. O passe, com qualidade, é muito mais eficaz que chuveirinhos na intermediária.

E vale também a menção à brasileira Marta. Cinco vezes seguidas eleita a melhor jogadora do Planeta.

Também é válida a série de alterações promovidas pela Fifa. O melhor treinador e treinadora do ano, o time ideal. Mesmo maior, a festa não perde o encanto, especialmente por ser rápida e não ter discursos longos, homenagens políticas chatas.

10/01/2011 at 16:53 Deixe um comentário

Ronaldinho e a sociedade do espetáculo

“Toda a vida das sociedades [...] se apresenta como uma imensa acumulação de espetáculos. Tudo o que era vivido diretamente tornou-se uma representação” (Guy Debord, em A Sociedade do Espetáculo)

Hotel Copacabana Palace, Rio de Janeiro. Mais de 50 jornalistas brasileiros, alguns italianos, sem contar os que estavam na redação e esperaram quase 1h para o início do evento, cerca de 500 torcedores, transmissão ao vivo pela TV…

Tudo para acompanhar a decisão de um homem de 30 anos (idade idealizada para o sucesso nos dias de hoje, quando se marca casamento, se compra casa ou atinge bons cargos no trabalho) sobre em que parte do país ele ganhará R$ 1 milhão/ mês, ou seja, uma loteria a cada 30 dias.

E nem assim a decisão foi comunicada. Apenas foi anunciado que o jogador anunciará a decisão no momento oportuno.

Sim, uma coletiva para avisar a imprensa que ela será avisada quando a decisão for tomada! E isso parou a vida de muita gente. Pode apostar nisso!

A coletiva foi acompanhada com a curiosidade de um ‘paredão’ do Big Brother Brasil, e o final dela, sem desfecho, foi o anticlímax do final de novela, que deixa o mais importante para o dia seguinte.

Ronaldinho foi o exemplo vivo do que os professores de comunicação definem como A Sociedade do Espetáculo, que Guy Debord definiu.  Este conceito, numa explicação bem rasa, é a transformação de tudo que existe em espetáculo, que gera um fetiche na sociedade.

É a sociedade em que ex-BBBs contratam paparazzi para flagrá-los correndo na praia, que atores ou cantores aparecem em eventos, contratados, para fingir que estão apenas prestigiando o local, que Nana Gouveia aparece com os seios a mostra de três em três meses…

E todos nós esperamos, ávidos, por essas “notícias”. Não por acaso a Caras é uma das revistas mais vendidas do país.

E viva o circo! Viva o Big Brother!

Hoje tem palhaço? Tem, sim senhor!

06/01/2011 at 19:36 Deixe um comentário

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