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Um time perdido

Há mais de uma semana, o assunto no São Paulo não é a semifinal da Libertadores, a contratação de Ricardo Oliveira ou a proposta por Hernanes.
Durante esse período, o tema mais discutido foi a provável, possível, mas não concretizada demissão de Ricardo Gomes.
O cenário é o seguinte:
Grande parte dos diretores do São Paulo quer a demissão imediata de Ricardo Gomes. Alguns, inclusive, após a derrota para o Santos, julgavam prudente até mesmo que a troca de treinador deveria ocorrer antes da partida contra o Internacional.
Mas, no São Paulo, quem realmente manda é o presidente Juvenal Juvêncio, e ele garantiu que Ricardo Gomes ficaria no cargo até o final da participação são-paulina na competição.
Só que veio o jogo. A derrota e a postura excessivamente defensiva do São Paulo irritaram os dirigentes e o próprio Juvenal, e há quem diga que a demissão pode ocorrer ainda hoje, seis dias antes da decisão de uma vaga na final do torneio. O clima no desembarque do São Paulo após o jogo foi de total isolamento do treinador.
Tudo muito estranho. Tudo muito amador. Ainda mais num clube que se gaba de ser ‘diferenciado’ e ‘vanguardista’.
Vamos direto ao ponto: Ricardo Gomes é um técnico fraco. Foi contratado muito mais pelo seu estereótipo do que por seu currículo. Fez um trabalho regular nesse período, levando em consideração o elenco que dispunha. Mas isso não justifica a inabilidade da diretoria são-paulina para resolver o caso.
O clube fez apenas dois bons jogos no ano (as duas partidas contra o Cruzeiro, pelas quartas de final da Libertadores) e, se o trabalho do treinador não era satisfatório, o diagnóstico deveria ser feito anteriormente. Foi o que fez o Inter, que demitiu Jorge Fossatti e deu tempo de trabalho para o técnico Celso Roth.
Trocar o treinador às vésperas da semifinal mostra ainda mais despreparo. Dos dirigentes, que não trabalham para o clube.
Se, por um lado, o time demonstra dentro de campo a apatia de seu treinador, do lado de fora a direção do clube não se mostra coesa o suficiente para apoiar o time ou dar opções. Como um clube pode perder seu único lateral por um erro na interpretação do contrato? Ou liberar, sem grandes problemas, o artilheiro da equipe na véspera da semifinal da Libertadores?
Esse é o São Paulo, que deveria estar pensando apenas em como vencer o Inter. As chances para isso são maiores do que se imagina.
Vale o ano

Santos x Vitória, na Vila Belmiro. Final da Copa do Brasil.
Internacional x São Paulo. Beira Rio. Semifinal da Taça Libertadores da América.
Dois jogos, duas competições diferentes, quatro times. Para todas elas, a partida vale o ano. E, em nenhuma delas, há favorito.
Pela final nacional, a geração de Neymar, Ganso e André tenta seu segundo título no ano. Robinho e Diego, juntos, ganharam um Brasileiro e chegaram à final da Libertadores.
Sabem – ou, pelo menos, imaginam – a pressão que enfrentam. São favoritos, superiores tecnicamente a tiveram quatro jogadores convocados por Mano Menezes. Sabem que precisam fazer um bom trabalho, no momento decisivo para ‘mostrar serviço’. Se perderem, as dancinhas, os atos de indisciplina posteriormente minimizados e a falta de modéstia serão bastante comentados.
Mas se engana quem pensa que o Vitória não tem um bom time. É bem melhor do que se imagina. Se não tem nenhum destaque individual fora o meia Ramon, 38 anos, mostrou organização e entrosamento, e isso pode fazer a diferença.
Já no Beira-Rio, depois de disputas políticas, guerras de bastidores e tudo aquilo que uma semifinal da Libertadores tem direito, São Paulo e Inter prometem, no mínimo, a mesma carga de emoção da final decidida pelas duas equipes, em 2006.
O Inter contratou melhor, tem mais time e enfrenta um momento bem mais favorável que o São Paulo, que vive em campo a instabilidade de seu técnico, que não vive seu melhor momento no clube.
Mas, por mais que tudo aponte para uma vantagem colorada, não dá para dizer que não há favorito. Quem imaginaria, por exemplo, que com o futebol que vinha jogando, o São Paulo atropelaria o Cruzeiro?
Por mais diferentes que sejam os momentos, é impossível cravar algum favorito para os dois jogos de hoje. Serão dois jogaços. Pena que no mesmo horário.
É Muricy! E agora?

Muricy Ramalho acertou com a CBF e, dependendo do acerto com a diretoria do Fluminense, será o novo técnico da Seleção Brasileira.
Terá a missão mais difícil do mundo. Renovar a Seleção e fazê-la vencedora em 2014, ano que a Copa será disputada no Brasil.
Foi uma boa escolha? Sim, foi. Ninguém fez tanto quanto ele nos últimos quatro anos. Entre 2005 e 2009, foram três títulos do Brasileiro (2006, 07 e 08 com o São Paulo) e um vice (com o Inter, que seria campeão da Libertadores e do Mundial, no ano seguinte).
Sim, ele também saiu desgastado do São Paulo (após a eliminação para o Cruzeiro, em 2009) e teve uma passagem sem grande sucesso pelo Palmeiras. Foi ao Fluminense e mal teve o prazer de dormir líder do Brasileirão, quatro anos depois.
Só vejo um porém nessa história. E não é o estilo de jogo que Muricy gosta: pragmático, apostando na bola parada, sem se importar tanto para a beleza do futebol praticado.
Este porém está no fato de o melhor de Muricy ser o dia-a-dia com o jogador. O treinador gosta de treinar, de trabalhar (não é por acaso a frase: ‘Aqui é trabalho, meu filho!’) e não terá tempo para fazê-lo durante a maior parte do tempo. Técnico de Seleção tem, na maior parte dos casos, dois dias e um treino, no qual a conversa é a maior arma.
É justamente iso que Muricy não gosta tanto e mais terá de fazer.
Se dará certo? Difícil dizer.
Mas Muricy tem capacidade suficiente para fazer, sim, um bom trabalho na Seleção, meu filho!
Mano: a melhor aposta

É óbvio que tudo depende de como o trabalho será realizado.
Mas, entre os nomes citados, a dupla Mano Menezes (treinador) e Carlos Alberto Parreira (diretor de seleções) é a que mais me agrada.
Se cumprir o que promete – e aí cada um faz seu julgamento, Ricardo Teixeira deve se dedicar apenas à presidência do Comitê Organizador da Copa de 2014. E só nisso há trabalho suficiente para sobrecarregar qualquer pessoa.
Nesse caso, alguém competente e experiente como Carlos Alberto Parreira comandaria o trabalho fora de campo, dando o respaldo necessário para que o treinador trabalhe tranquilamente.
E, dentro de campo, se a proposta é realmente de renovação, um técnico como Mano Menezes tem o perfil ideal para comandar o time. Pode ser classificado como um jovem treinador, mas tem experiência comprovada. É campeão da Copa do Brasil, bi-campeão da Série B e vice-campeão da Libertadores com o Grêmio, em 2007.
Além disso, conhece bem o futebol que se joga no país. Sabe onde estão os jovens destaques e os principais jogadores e tem um bom relacionamento com imprensa e torcida. Não é por acaso que tem (no momento exato que escrevo este post) 1.417.460 seguidores no Twitter.
Espero que Mano, se escolhido, faça um trabalho tão bom quanto os que fez nos clubes que digiriu. Mas minha torcida é que o projeto da Seleção para a Copa de 2014 seja sério e que o time, como eu já disse outras vezes, volte a jogar como Brasil.
Caminho errado

Foi bom esperar e ver a entrevista de Ricardo Teixeira para o Bem, Amigos! especial na SporTV.
Fora toda a parte ‘bem amiga’ da entrevista, na qual a Globo retomou as rédeas sobre a CBF, algumas coisas ficaram bem claras.
Ricardo Teixeira quer renovação. Essa foi a palavra de ordem. Repetida tantas vezes quanto ‘comprometimento’ doi na boca de Dunga, enquanto técnico. Além disso, mostrou descontentamento com algumas posturas da Seleção, mas não respondeu – até porque não foi perguntado – se não poderia mudar essas posturas antes da Copa.
Mas, enfim… Tudo bem. Essa é a parte menos importante, afinal, esse não é um blog sobre jornalismo.
A mensagem subliminar passada durante a entrevista é que Ricardo Teixeira continuará dando todas as ordens na Seleção. O novo técnico irá se reportar diretamente a ele. E é ele quem ditará as regras e cabe ao treinador cumprí-las. Mesmo num período em que as obras para a Copa de 2014 estejam a todo o vapor, ele vai dividir as funções.
E é justamente aí que começa o erro.
Independente de qual seja o nome do técnico da Seleção, é justamente esse caminho que a Seleção não pode seguir. O Brasil precisa de um projeto integrado para as seleções. Como bem lembrou o comentarista Paulo Vinícius Coelho (cujo blog está linkado aqui), seria uma boa ideia ter um diretor de seleções, alguém capaz de supervisionar os trabalhos entre as seleções de base e a principal e integrá-los.
Iniesta, David Silva e Fábregas jogaram pela Espanha nas seleções de base, assim como Messi, Di Maria e Tevez pela Argentina. No Brasil, do último time campeão sub-20, apenas Kleber e Nilmar estavam nesta Copa. E a geração brasileira vencedora em 1994 foi formada por atletas que jogaram juntos desde as seleções de base. Casos de Romário, Leonardo, Jorginho e do próprio Dunga.
Com um diretor de seleções (ou gerente, diretor de futebol, qualquer que seja o nome) o trabalho de Teixeira seria naquilo que realmente preocupa. A preparação do país e das cidades-sede para o Mundial de 2014.
Pelo menos na teoria.
Agora, com Teixeira dando as ordens diretamente, tanto faz Felipão, Mano Menezes, Leonardo, José Mourinho, Didi Mocó, eu ou você no comando. Qualquer um desses será apenas a voz do mandatário na beira do gramado.
Sobre o treinador
Acho que o período de experiências já passou. Quatro anos com um ex-jogador e ex-comentarista como técnico já foram suficientes. Se o trabalho for sério, quem deve comandá-lo na área técnica é alguém com experiência e visão.
Honestamente, você daria a direção do Hospital das Clínicas a um residente recém-formado, por mais talentoso que seja? Ou promoveria um estagiário de jornalismo a editor-chefe da Folha de São Paulo?
O raciocínio deve ser o mesmo com o treinador da Seleção. Por maior que seja o talento do candidato, ele precisa ter experiência. Seleção não é lugar para aventuras, e espero que a CBF tenha aprendido a lição.
Gosto muito do Leonardo, por sua visão do futebol, por saber se relacionar bem com dirigentes, jogadores e imprensa, mas colocá-lo como técnico do Brasil seria criar dois problemas ao invés de resolver um: perder um ótimo dirigente (ou gerente de futebol, como citei antes) e alçar um profissional inexperiente para um cargo com tanta pressão.
Ainda dá tempo de corrigir o rumo, Sr. Ricardo Teixeira.
Como eu queria acreditar nisso…
